Tudo o que você precisa saber sobre Logística Reversa

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No contexto da gestão de resíduos sólidos, a logística reversa vem se tornando cada vez mais importante na busca da sustentabilidade empresarial.

Atualmente, o  mundo passa por uma preocupante escassez de recursos naturais resultante de práticas de produção e consumo nada sustentáveis. Diante de produtos com ciclos de vida cada vez menores e a obsolescência precoce,  a quantidade de materiais descartados é enorme, e o simples descarte no meio ambiente já não é mais suficiente.

Pneu sendo reutilizado como vaso de plantas

Mesmo após o consumo, muitos materiais ainda podem ter sua vida útil estendida ou serem reciclados, reaproveitados ou remanufaturados.

Esse é o objetivo da Logística Reversa.

Neste post, vou definir no que ela consiste e como ela ocorre, destacando o contexto legal e o panorama atual de sua aplicação no Brasil em diversos resíduos e segmentos de mercado.

O que é a logística reversa?

Estrada a mostrando luzes de veículos em sentidos opostos

A logística é normalmente associada a seu fluxo “direto”: atividades e processos com o objetivo de entregar o produto ao consumidor. Por exemplo, a aquisição de matérias-primas, fabricação do produto, armazenamento e distribuição do produto.

Com o sentido oposto, a logística reversa começa onde a direta se encerra: do consumidor para o setor de produção. Uma vez que o ciclo de vida de um produto ou material não se encerra na atividade de consumo, as empresas devem possuir um canal logístico reverso dedicado ao retorno dos mesmos.

Paulo Leite, especialista no assunto e responsável pelo Conselho de Logística Reversa do Brasil, define:

“Logística reversa é a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros.”

Somente dispor resíduos não basta ao atual contexto empresarial. Incorporar e disseminar a logística reversa nas práticas econômicas é um objetivo atual de políticas públicas e empresariais por todo o mundo.

Logística reversa na Política Nacional de Resíduos Sólidos

O tema ganhou nova perspectiva após a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010, apesar de algumas ações de logística reversa já serem executadas previamente. Dentre as diretrizes da lei, a logística reversa foi regulamentada como instrumento da gestão de resíduos sólidos no país, junto com o estabelecimento da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

Em seu Art. 33, a PNRS encarregou as empresas fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores de promover o aproveitamento dos produtos, suas embalagens e componentes após o consumo dos mesmos, direcionando-os para a mesma ou outras cadeias produtivas.

Ciclo logístico de produção de veiculos

Em termos mais práticos, funciona da seguinte forma: empresas de tecnologia, por exemplo, fabricantes de eletrônicos, continuam sendo responsáveis pelo produto que ela coloca no mercado mesmo após a venda e o consumo. Dessa forma, são obrigadas a possuírem sistemas de logística reversa para garantir e viabilizar que estes retornem para as empresas, que poderão separar componentes, reparar peças e reciclar materiais, operando um ciclo logístico fechado.

Para operar a logística reversa, as empresas fabricantes devem se organizar e viabilizar tecnicamente formas para obter o resíduo:

  • Procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados;
  • Disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis;
  • Atuar em parceria com cooperativas e operadores logísticos para realizar serviços de coleta, transporte e armazenamento dos resíduos;
  • Possuir entidades gestoras da logística reversa;
  • Fazer uso de sistemas informatizados;

O papel do consumidor

É importante destacar que o consumidor também é responsável, devendo tomar as ações necessárias para descartar os resíduos de maneira adequada através dos sistemas implantados, segregando os materiais e, se necessário, levá-los até um ponto de coleta.

Pessoas descartando lixo em recipientes
Prefeituras e empresas disponibilizam pontos para descarte de embalagens e residuos, para serem reciclados. Procure saber onde encontrá-los em sua cidade.

Além disso, a sociedade deve estar sempre atenta para investigar e optar por empresas que dêem a devida dedicação à sustentabilidade e logística reversa.

Sistemas de Logística Reversa no Brasil

O Ministério do Meio Ambiente, através de Grupos de Trabalho e o Comitê Orientador da Logística Reversa, se organizou junto aos setores empresariais para definir os acordos setoriais. Apesar de alguns sistemas ainda estarem em discussão e implantação, o país já possui exemplos de eficiência em logística reversa, com entidades especializadas e números que merecem ser destacados.

Embalagens de Agrotóxicos

Este setor já possuía uma legislação sobre logística reversa antes mesmo da PNRS. Trata-se da Lei Federal 9974/2000.

Antes da legislação, as embalagens eram enterradas, queimadas ou descartadas em rios, implicando em muita poluição. Com a logística reversa, gerenciada pelo inpEV, o Sistema Campo Limpo promoveu, em 2016, o destino correto para 94% das embalagens comercializadas no país, que foram recuperadas ou destruídas da forma controlada. Esse valor está acima do praticado por países como França e Canadá, que não superam 80%.

O mecanismo utilizado foi garantir que, os caminhões que distribuem as embalagens cheias, retornem com as vazias.

Pilhas e Baterias

O programa de logística reversa, ABINEE Recebe Pilhas, teve início em novembro de 2010 e atualmente abrange todas as capitais. Já foram coletadas mais de 1300 toneladas de pilhas. Recentemente, o programa modificou a gestão e passou a se chamar Descarte Green.

Pneus

A Reciclanip é uma entidade sem fins lucrativos criada em 2007 exclusivamente para a coleta e destinação de pneus no país, como investimento das empresas fabricantes.  Trata-se de um material que, na natureza, requer cerca de 600 anos para se decompor. Desde o início do programa, mais de 4,2 milhões de toneladas de pneus já foram recolhidos e devidamente destinados, em sua maioria para coprocessamento.

Óleos lubrificantes e embalagens

A Resolução Conama nº 362/2005 já tratava do recolhimento, coleta e destinação final de óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC).  O Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais, o SINDIRREFINO, é a principal entidade representativa do setor, que já atende mais de 4 mil municípios brasileiros com serviços de coleta e reciclagem.

Quanto às embalagens plásticas de lubrificantes, em dezembro de 2012 foi assinado o Acordo Setorial Federal para a implantação do sistema de logística reversa. Trata-se do Programa Jogue Limpo, que já ultrapassou a marca de 600 milhões de embalagens recicladas desde 2005.

Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista

Por conter metais pesados como o mercúrio, as lâmpadas são resíduos perigosos e sua reciclagem permite recuperar este material, além de aluminio e vidro.

Com o acordo setorial assinado em novembro de 2014, o sistema de logística entrou em implantação e está em fase inicial, coordenado pela Reciclus, a Associação Brasileira para Gestão da Logística Reversa de Produtos de Iluminação.

Produtos eletroeletrônicos e seus componentes

No Brasil, são gerados cerca de 1,4 milhão de toneladas de resíduos eletrônicos por ano, formados por diversos materiais como plásticos, vidros, componentes eletrônicos e metais pesados. Sua reciclagem consiste em desmontagem, segregação de materiais, recuperação dos materiais de valor e tratamento dos componentes perigosos.

A GREEN Eletron, gestora para Logística Reversa de Eletroeletrônicos, é constituída pelas grandes empresas do setor e coordena o  projeto Descarte Green, no estado de São Paulo. Este, servirá como experiência e base para a assinatura do Acordo Setorial Federal, que ainda está em discussão.

Medicamentos

A maioria das pessoas descarta medicamentos no lixo comum, contribuindo para um grave problema de saúde pública. Por conterem substâncias químicas que são prejudiciais, os medicamentos devem ser devidamente destinados. A poluição decorrente do descarte inadequado pode afetar a saúde humana e animal, afetando até a reprodução de peixes.

O Acordo Setorial para logística reversa de medicamentos está em atraso e se encontra não definido. No entanto, o Conselho Federal de Farmácia está atuando junto a outros atores do setor farmacêutico e ao poder público para buscar uma alternativa tecnicamente viável.

Algumas redes já oferecem soluções de descarte para o consumidor. É o caso do Programa Descarte Consciente, que disponibiliza estações coletoras em farmácias de algumas cidades do país.

Embalagens em Geral

O Acordo Setorial para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral foi assinado no final de 2015 e engloba as embalagens de papel,  papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e as embalagens longa vida.

A iniciativa é liderada pela Coalizão Embalagens , composta por diversas entidades que representam cerca de 50% do setor de embalagens do país. Segundo relatório da primeira fase do programa, os resultados superaram as metas.  O programa já atinge 50% da população brasileira. Vale a pena conferir a campanha do setor “Separe. Não Pare.”.

Quais as perspectivas para a logística reversa?

Apesar dos avanços, o caminho a ser percorrido pela gestão de resíduos no Brasil é longo e árduo.  A Política Nacional de Resíduos Sólidos possui diretrizes ousadas, e seus instrumentos, como a Logística Reversa, requerem investimentos, organização e dedicação para concretizarem uma maior eficiência. As empresas, o Poder Público e a sociedade precisam de um maior comprometimento com a questão.

Por depender de interesses econômicos, muitas vezes o setor empresarial ainda trata o uso de materiais reciclados como prioridade secundária à matéria-prima virgem. Outros obstáculos são a logística dificultada e a carência de planejamento e inteligência de dados que tragam maior proatividade para as empresas.

No entanto, o país deve se inspirar nos bons resultados já alcançados, que mostram que tudo isso é mais do que possível. A reciclagem de latas de alumínio alcança níveis próximos a 100%).

No estado de São Paulo, a logística reversa já é exigida desde Abril de 2018 como condicionante de licenciamento ambiental de diversos empreendimentos. Uma iniciativa inédita mas que deverá ser seguida.

Mão pintada de verde segurando uma planta

E você? E sua empresa? Como se comportam em relação à logística reversa?

Compartilhe nos comentários se você adota alguma prática que colabora no progresso da sustentabilidade e das mudanças necessárias. Temos que estar juntos nessa caminhada pelo  meio ambiente em equilíbrio com a economia e a sociedade.

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